domingo, 10 de julho de 2011

Tai Chi Chuan: Entre o Céu e a Terra




Na cultura e pensamento chinês, a trindade Céu-Homem-Terra possui uma importância grande. O céu representa o imaterial, o criativo, que influencia e molda a matéria. É o aspecto Yang e sutil do Universo. A Terra corresponde ao material, ao receptivo que gera e dá forma. É o aspecto Yin. Esta explicação é superficial, mas acredito que o suficiente para o que pretendo comparar. O homem é o elo de ligação destes dois aspectos. Pois, com sua mente possui a capacidade de pensar (imaterial). E, com a imaginação (imaterial) transforma a natureza (material) com sua habilidade corporal (material). Assim, o homem possui os dois aspectos. No Tai Chi Chuan, a prática deve representar este movimento natural do homem entre o Céu e a Terra. O topo da cabeça representa a ligação da Terra com o Céu. E, a sola do pé representa a ligação do Céu com a Terra. A coluna representa o próprio homem, que como um pilar está entre o Céu e Terra, mantendo o equilíbrio. Esta busca entre a base estável (Terra) e a leveza dos braços e do olhar (Céu) podem ser conduzidas pelo centro (ventre, umbigo, Dan Tien, Hara) que armazena e distribui o Qi (Chi). Assim, o ideal na prática é sentir a base bem assentada na Terra e a coluna alongada em direção ao Céu. Assim o corpo (material) pode se unir com a mente (imaterial) formando uma unidade única no Universo: o Homem.

Sinta o Céu e a Terra dentro e fora de você.  Esta forma de ver as coisas está no micro e no macro. Só assim perceberá que não está isolado de nada. E, que o fluir da energia é ciclico. É  uma dificuldade explicar o sentido de tudo, mas temos a intuição de que devemos continuar fazendo o melhor que podemos.





Cultura Chinesa I

Abaixo um vídeo que trás imagens da abertura e encerramento das olimpíadas de Beijing 2008. Muitos elementos culturais, artísticos, históricos...



Tai Chi Chuan nas Olimpíadas

Abaixo alguns vídeos que mostram a abertura das Olimpíadas de Beijing 2008. Além do Tai Chi Chuan, há também a prática  de Wushu. Como as artes marciais e terapêuticas formam uma das bases da identidade cultural chinesa, o enfoque na abertura das olimpíadas era necessário para contextualizar a própria prática e identidade  corporal e de trabalho físico chinês.




A Prática Coletiva do Tai Chi Chuan

O vídeo abaixo mostra milhares de pessoas reunidas para praticar o Tai Chi Chuan. Praticar coletivamente demanada observação do ritmo dos outros e adaptação. A prática coletiva trás alguns benefícios como: capacidade de moldar o próprio ritmo, adequação espacial, companhia de colegas, ajuda na correção de eventual de imperfeições, trabalho de ritmo. Contudo, o treino individual é muito importante, pois trabalhamos nossa vontade, concentração, disciplina, etc.
Aprecie o esforço, organização e a singularidade de cada praticante fazendo a mesma forma de movimentos.


Tai Chi Chuan: Estética e Competição

Na China atual, os aspectos desportivos e de trabalho físico das artes marciais correspondem ao que é ensinado na maioria das escolas e universidades. O desejo chinês de  transformar o Wushu Moderno (artes marciais com características marcadamente voltadas para alto desempenho físico e estético, além de preservar boa parte dos elementos marciais) em esporte olímpico não aconteceu em Beijing 2008 (olimpíadas). A marca do Wushu moderno é a complexidade muito grande dos movimentos, amplo desempenho físico, preocupação com as descobertas científicas sobre o funcionamento do corpo, e moderado interesse pelos aspectos filosóficos. Contudo, a cultura chinesa está permeada pelo taoísmo, confucionismo e Budismo. A questão da disciplina está presente tanto no tradicional quanto no Wushu moderno. Os objetivos podem ser diferentes. Mas, são necessários muitas qualidades para praticar tanto o tradicional quanto o moderno. Abaixo um vídeo de Tai Chi que apresenta um desempenho muito grande em termos de exigência física (bases e amplitude), fluidez e continuidade. Para quem começa no Tai Chi, o indicado é começar sempre com bases mais elevadas, para gradualmente descobrir a sua própria medida, evitado lesões.