O templo de Shaolin é considerado o grande centro das artes marciais chinesas. A grande maioria das artes marciais chinesas que chegaram aos tempos atuais possuem alguma influência dos estilos ou técnicas desenvolvidas dentro templo. A história marcial do templo budista começa no século VI, com a chegado do 28º patriarca budista, Da Mo. Ao longo da história o templo foi referência para várias áreas do conhecimento e representou papel importante na história política e social da China. Muitos filmes foram realizados para mostrar a rotina, a importância e o quanto o templo de Shaolin atuava politicamente (revoltas, rebeliões e revoluções). A capacidade de transformar as pessoas por meio da arte marcial e do budismo são enfocadas na maioria dos filmes. A arte marcial oferece disciplina e transformação energética; O budismo oferece compreensão e paz, formando uma eficaz forma de transformar indivíduos em seres melhores. Abaixo segue a série de filmes realizados pelo ator Jet Li sobre o templo de Shaolin.
domingo, 27 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Tratado de Tai Chi Chuan - de Li Yi Yu - Príncipios para Executar a Forma e as Técnicas Marciais
"Diziam os antigos mestres: se pudermos atrair, fazer avançar o adversário e fazer cair a sua força no vazio, quatro onças podem valer mais do que mil libras. Caso contrário, quatro onças não podem valer mais do que mil libras. Essas palavras têm um sentido mais profundo. Mas como os principiantes ainda não compreendem o príncipio, acrescentarei algumas explicações, a fim de que os desejosos de desvendar os segredos dessa técnica adquiram uma boa base e possam, a cada dia, progredir e obter o resultado desejado.
Afim de atrair o adversário e fazer-lhe cair a força no vazio, a fim de que quatro onças valham mais do que mil libras, precisamos, primeiro, conhecer-nos a nós mesmos e conhecer o adversário. Para isso, esqueçamo-nos de nós e sigamos o outro. Para nos esquecermos de nós e seguir o outro, convém encontrar, antes de tudo, uma ocasião propícia no desenrolar dos movimentos. Para isso, o corpo deve formar um todo. Para que o corpo forme um todo, cumpre que ele seja inteiramente sem falha. Para que ele seja sem falha, é necessário, primeiro, estimular o sopro e a energia espiritual. Afim de consegui-lo, comecemos pondo em movimento a força vital e não deixemos que a energia espiritual se disperse no exterior. A energia espiritual não se dispensará no exterior se o sopro e a energia espiritual, reunidos, penetrarem os ossos. Para que isso aconteça, é preciso primeiro que as articulações anteriores dos braços tenham força, que os ombros estejam relaxados e que o sopro se concentre embaixo. A energia parte dos calcanhares, transforma-se e passa para as pernas, reúne-se no peito, circunda os ombros, é comandada pela cintura; em cima, liga os ombros, embaixo, segue as pernas; transforma-se no interior . Acumular é fechar; soltar é abrir.
No repouso, não há nada que não esteja em repouso. O repouso é fechamento, mas o fechamento já subentende a abertura. No movimento, não há nada que não esteja em movimento. O movimento é abertura, mas a abertura já subentende o fechamento. Se tivermos conciência disso, poderemos mover-nos à vontade em movimento circulares. Nenhum lugar do corpo deixará de obter a força. Só então poderemos atrair o adversário e fazer lhe cair a força no vazio, e quatro onças valerão mais do mil libras. O adestramento cotidiano no encadeamento dos movimentos é um exercício por si mesmo. Desde a execução do movimento, convém perguntar-nos a nós mesmos se o corpo se desloca de acordo com os príncipios acima enunciados. À menor falta de harmonia, devemos corrigir-nos prontamente, e é por essa razão que o encadeamento se executa lenta e não rapidamente. O treinamento a dois nos serve para conhecer o outro. Seja em movimento, seja em repouso, procuremos conhecê-lo, ao mesmo tempo que nos perguntamos se é justa a nossa atitude. Desde que o adversário se nos oponha, não façamos o mínimo movimento, mas aproveitemos o vazio que ele cria a fim de aí penetrar, utilizar-lhe a força para fazê-lo cair por si mesmo. Se em certos lugares não obtivermos a força, a razão é porque ainda não corrigimos o defeito que consiste em repartir em duas partes iguais o peso do corpo. Busquemos o remédio no seio (da alternância) do Yin e do Yang, da abertura e do fechamento. Diz que aquele que se conhece a si mesmo e conhece o adversário alcança cem vitórias em cem combates".
domingo, 13 de maio de 2012
Filme de Tai Chi na Íntegra
Existem poucos filmes sobre Tai Chi Chuan com tradução para o português ou mesmo para o inglês. Em postagem anterior indiquei os que conhecia. O mais difundido é Tai Chi (Master) ou Batalha de Honra como ficou conhecido no Brasil. Este filme já passou nas redes de TV Bandeirantes e SBT. A tradução dublada deixa a desejar. Mas, como é difícil de conseguir acesso a este filme, coloco abaixo a versão que está disponível no You Tube. Existem muitas frases e ensinamentos no filme que merecem nossa atenção e reflexão.
domingo, 15 de abril de 2012
Tai Chi Chuan e a Arte do Arco e Flecha
Aqueles que praticam Tai Chi Chuan aprendem bases (posturas e posições das pernas que geram força e equilíbrio) conhecidas por diversos nomes. Mas, em geral, fazemos referência à base do arqueiro. A base do arqueiro é a principal estrutura de pernas do estilo Yang. Recebe este nome por ser a postura que conferia aos antigos arqueiros chineses estabilidade e estrutura.
Nas artes marciais chinesas é muito comum desenvolver a prática de armas, jogos de tabuleiro e leituras para expandir a compreensão sobre si e o universo que o rodeia. Neste contexto, muitos mestres de Tai Chi praticavam o arco e flecha como um complemento ou como um caminho paralelo de entendimento do Yin e do Yang. Lembrando que Tai Chi significa equilíbrio entre os opostos-complementares (yin-yang). Provavelmente, Sun Lutang foi o mais famoso mestre de Tai Chi que também se dedicava ao caminho do arco.
No âmbito filosófico podemos destacar como grandes praticantes: Confúcio, Lie Zi, Sun Zi, entre outros. No ocidente esta prática se propagou pela versão japonesa deste caminho. Pouco é conhecido sobre a arte da arqueria como caminho. Na China Rituais antigos que datam desde Confúcio possuem grande relevância social e espiritual. Inicialmente, no Japão, os samurais utilizavam o arco e posteriormente passaram para a espada. A prática do Arco e flecha envolve: disciplina, método, força, relaxamento, concentração, determinação, paciência, aperfeiçoamento, desapego do ego, meditação, etc. Ou seja, os mesmos princípios de outras artes orientais. O mais importante é transformação interna (o mesmo que buscamos no Tai Chi Chuan, na Yoga, na meditação, etc.).
Em uma obra profunda conhecida como Arte cavalheiresca do Arqueiro Zen, do filósofo alemão Herrigel, encontramos um sabedoria que transcende diferença entre China e Japão, pois já tomou o caminho do TAO.
"Dia após dia, eu ia penetrando com maior facilidade na interpretação e na prática da Doutrina Magna do tiro com arco e a executava sem esforço, como se o estivesse praticando durante um sonho. Confirmavam-se, assim, as palavras do mestre. Contudo, eu não conseguia me concentrar além do momento do disparo.
Manter a atenção num máximo de tensão não só me fatigava, ocasionando um relaxamento da própria tensão, como se desvanecia, perdendo sua energia potencial até tornar-se insuportável e, em muitas ocasiões, obrigando-me a dirigir minha atenção, provocando eu mesmo o disparo.
- Deixe de pensar no disparo!, exclamava o mestre.
- Assim não há como evitar o fracasso!
- Eu não consigo evitar, repliquei. -A tensão é insuportavelmente dolorosa.
- Isso acontece porque o senhor não está realmente desprendido de si mesmo. Contudo, é tão simples... Uma simples folha de bambu pode ensiná-lo. Com o peso da neve ela vai se inclinando aos poucos, até que de repente a neve escorrega e cai, sem que a folha tenha se movido. Como ela, permaneça na maior tensão até que o disparo caia: quando a tensão está no máximo, o tiro tem que cair..."
Manter a atenção num máximo de tensão não só me fatigava, ocasionando um relaxamento da própria tensão, como se desvanecia, perdendo sua energia potencial até tornar-se insuportável e, em muitas ocasiões, obrigando-me a dirigir minha atenção, provocando eu mesmo o disparo.
- Deixe de pensar no disparo!, exclamava o mestre.
- Assim não há como evitar o fracasso!
- Eu não consigo evitar, repliquei. -A tensão é insuportavelmente dolorosa.
- Isso acontece porque o senhor não está realmente desprendido de si mesmo. Contudo, é tão simples... Uma simples folha de bambu pode ensiná-lo. Com o peso da neve ela vai se inclinando aos poucos, até que de repente a neve escorrega e cai, sem que a folha tenha se movido. Como ela, permaneça na maior tensão até que o disparo caia: quando a tensão está no máximo, o tiro tem que cair..."
sábado, 7 de abril de 2012
Relaxamento no Tai Chi - Fang Song
Um dos primeiros elemento a ser aprendido no Tai Chi Chuan é o relaxamento. O relaxamento começa na mente. Precisamos desenvolver um estado de tranquilidade e atenção mental para olhar para o corpo com atenção e sensibilidade (meditação sobre as sensações do corpo). Relaxar o corpo pode até começar com o "soltar" a musculatura. Mas, é muito mais do que isto. É preciso desenvolver o que os mestres chamam de Fang Song. Geralmente traduzido por relaxamento, Fang Song é um estado de atenção e sensibilidade que envolve uma tenacidade muscular (a busca pela medida certa entre o frouxo e o tenso). Assim, Fang Song pode e deve ser desenvolvida na forma (treino das sequências de Tai Chi). Mas, é no tui sou que compreendemos sua importância e medida.
No treinamento da forma (tao lu), devemos buscar cada vez mais o relaxamento dos músculos que estão muito tensos, o relaxamento das articulações (soltar sem perder o encaixe). Mas, soltar não é ficar mole, frouxo (caído). Soltar é tornar consciente das contrações desnecessárias ou demasiadas. Isto é possível num treino lento que permite uma grande consciência dos músculos, tendões e ossos envolvidos num movimento. O objetivo é desenvolver o uso do corpo sem tensões iniciais, para que a energia flua pelos meridianos (vasos energéticos) e circule por todo o corpo com harmonia e fluidez. Quando isto acontece, sentimos calor difundido por todo corpo. Sentimos ainda, um estado de leveza na parte superior e um afundar do Qi (chi, energia) na parte inferior. Estamos num estado de tamanha tranquilidade que o recolhimento no final da forma permite sentir a energia fluir pelo corpo. Do ponto de vista marcial, o relaxamento será o polo oposto da força que se criará. Assim, quando melhor for o relaxamento, melhor será o Fa Jin (jogar a força).
Desbloquear pontos tensos não é uma tarefa fácil. Podemos focar o ponto que nos incomoda. Por exemplo: um ponto nas costas (gatilho) que constantemente nos faz sofrer. Então, busque ao realizar a forma, sentir o alongamento das escápulas, ombros e da própria coluna em cada movimento. Utilize a respiração para conscientemente aliviar a musculatura (demora tempo para desenvolver certas práticas). Expire e busque relaxar o músculo em questão, deixe sua mente conectada com a área em questão. Sinta (e isto é fundamental) o peso de suas pernas (não sustente-se com a tensão da coluna, mas com o quadril que sustenta uma coluna alongada). Visualize a energia fluindo no local. Realize o movimentos lentos (pode ser só um como forma de Qi Gong) para potencializar o processo. O treinamento de tui sou pode auxiliar no processo, assim como o do Fa Jin (desde que devidamente relaxado).
Soltar no Tai Chi significa achar a justa medida em que seus musculos e tendões podem sustentar a estrutura corporal sem tensões desnecessárias e ficar sensível as forças que são aplicadas em seu corpo (tui sou). Podendo então, passar do yin para o yang (relaxamento para a força) de maneira imediata e natural.
Busque o Fang Song em cada momento. Perceba no carro ou no cinema as tensões desnecessárias. Fang song começa na auto-observação.
Sorrir ajuda muito.
Song
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